Ela me disse para amá-la devagar
pois só sem pressa nosso amor duraria
pra além do inverno e da carne
pra lá dos anos, do karma
e eu acreditei, ó, só deus sabe o quanto
se perde, por acreditar em deus.
Saturday, July 18, 2009
Wednesday, July 15, 2009
N e S
II
azar é genético
amor é cultura
tempo, ficção
viver é esquecer
comida é seu corpo
música, de fundo
papel é higiênico
viola é o verbo
beijo é artístico
I
correr é ficar
água, abraço
amanhecer só a noite
anoitecer sob o sol
viver é a lembrança
não é logo
(sua) ausência gera o (meu) verso
(mas) verso mesmo, em si, é a ausência: o silêncio, da tinta e da boca
azar é genético
amor é cultura
tempo, ficção
viver é esquecer
comida é seu corpo
música, de fundo
papel é higiênico
viola é o verbo
beijo é artístico
I
correr é ficar
água, abraço
amanhecer só a noite
anoitecer sob o sol
viver é a lembrança
não é logo
(sua) ausência gera o (meu) verso
(mas) verso mesmo, em si, é a ausência: o silêncio, da tinta e da boca
Tuesday, July 14, 2009
"one liners"
gosto das manhãs por serem a única hora do dia que o sol e o silêncio se compartilham. nada como o silêncio do cântico dos pássaros sob a manhã que ainda não se dera conta de que o dia acabara de começar.
-
defendem tão bravamente a mesma causa! pena que discordam com mesma bravura sobre o conteúdo dela.
-
talvez seja tarde demais mesmo. você, que chora (comigo) pelo leite em cachoeiras, devemos ser velhos demais mesmo, pra essas (e aquelas) coisas. o sol nasce apressado e atrasado pro bonde das 5 :30 Am, os canais televisivos de música gritam que é tarde demais para se começar a fazer música, e eu posso jurar que na noite passada sonhei ter aprendido, enfim, a andar de bicicleta. só que era tarde e eu acordei. tão tarde que eu, acordando, anoiteci sonhando acordado pra fazer de conta tanta coisa que deus duvidava que eu fizesse. mas um dia, enquanto ele esperava a Voz do Brasil cantar a Abertura d'O Guarani depois da novela das oito, eu fiz minhas malas. e fiz de conta que eu fazia de tanta conta assim.
[da série eu gosto do óbvio - parte 22, rs]
-
defendem tão bravamente a mesma causa! pena que discordam com mesma bravura sobre o conteúdo dela.
-
talvez seja tarde demais mesmo. você, que chora (comigo) pelo leite em cachoeiras, devemos ser velhos demais mesmo, pra essas (e aquelas) coisas. o sol nasce apressado e atrasado pro bonde das 5 :30 Am, os canais televisivos de música gritam que é tarde demais para se começar a fazer música, e eu posso jurar que na noite passada sonhei ter aprendido, enfim, a andar de bicicleta. só que era tarde e eu acordei. tão tarde que eu, acordando, anoiteci sonhando acordado pra fazer de conta tanta coisa que deus duvidava que eu fizesse. mas um dia, enquanto ele esperava a Voz do Brasil cantar a Abertura d'O Guarani depois da novela das oito, eu fiz minhas malas. e fiz de conta que eu fazia de tanta conta assim.
[da série eu gosto do óbvio - parte 22, rs]
Monday, July 13, 2009
Pátria
Minha língua é minha arma
que atira contra meu próprio peito
e sangra em litros as promessas que te faço
e desfaço, ou cumpro pela metade
minha língua é a paz declarada
contra a guerra cotidiana
de se escovar os dentes (pra quê?)
de se ganhar a vida (de quem?)
e o clichê hipócrita de se revoltar disfarçadamente contra coisas que moverei palha alguma pra mudar
e o poema que te dedico e recito à luz do dia, à praça pública
e o gesto de manter uma cena como esta trancada na imaginação apenas, pra sempre.
que atira contra meu próprio peito
e sangra em litros as promessas que te faço
e desfaço, ou cumpro pela metade
minha língua é a paz declarada
contra a guerra cotidiana
de se escovar os dentes (pra quê?)
de se ganhar a vida (de quem?)
e o clichê hipócrita de se revoltar disfarçadamente contra coisas que moverei palha alguma pra mudar
e o poema que te dedico e recito à luz do dia, à praça pública
e o gesto de manter uma cena como esta trancada na imaginação apenas, pra sempre.
Saturday, July 11, 2009
Castigo
sua saia curta azul escura
seus risos 'érresse', discrição
aceita minha amizade futura
pra me roer a dentição
pra me passar seu endereço
virtual, sua homepage
sã, linda e sem email adereço
colegial, kisses-me-beije
praia à tarde, so fine
eu sempre te quis assim, ó céus
emoldurada, on line
no firmamento azul de pixels
seus risos 'érresse', discrição
aceita minha amizade futura
pra me roer a dentição
pra me passar seu endereço
virtual, sua homepage
sã, linda e sem email adereço
colegial, kisses-me-beije
praia à tarde, so fine
eu sempre te quis assim, ó céus
emoldurada, on line
no firmamento azul de pixels
Trailer
ou eles morreram esfacelados por um trem
adeptos de alguma seita fundamentalista suicida bizarra
ou vítimas de um tiroteio perdido
entre quadrilhas intergalácticas que lutavam por território
ou escalpelados por um borderline à serra elétrica
no sótão de um casarão abandonado da Lapa
vá saber, no necrotério, atenção era a tv 14 polegadas no volume máximo
os repórteres e jornalistas estavam ocupados demais para cobrir o caso
do obituário improvisado, ao rabisco aleatório em frase para a nota de jornal postada uma página antes do caderno de esportes
má sorte de uma morte inteira essa coisa de morrer (no mesmo dia que o Michael Jackson)
adeptos de alguma seita fundamentalista suicida bizarra
ou vítimas de um tiroteio perdido
entre quadrilhas intergalácticas que lutavam por território
ou escalpelados por um borderline à serra elétrica
no sótão de um casarão abandonado da Lapa
vá saber, no necrotério, atenção era a tv 14 polegadas no volume máximo
os repórteres e jornalistas estavam ocupados demais para cobrir o caso
do obituário improvisado, ao rabisco aleatório em frase para a nota de jornal postada uma página antes do caderno de esportes
má sorte de uma morte inteira essa coisa de morrer (no mesmo dia que o Michael Jackson)
Monday, July 06, 2009
Ode Ao Tinha
"nada como desgraça alheia para nos provar que a nossa vida é até bem confortável"
nada como a vida e a irônica e constante parcela de morte na qual ela se divide
na qual, se esfacelando e almofadando, o crepúsculo se espalha à palma de meu dedão
nada como a vista que se entrefecha no horizonte e no olhar e na polpa da pálpebra o sol que queima e a manhã que nasce à beira da praia e nada, na espuma, mas nada
nada mesmo como a angústia de não ter mais tempo e um pedaço de si para dias assim
nada como se pôr as tardes ao seu colo, e nada como esperar você chegar de braços dados comigo
no pensamento e no corpo, logo mais, e, ainda mais, logo menos
nada como lamentar quando isso tiver acabado, para sempre e comigo
na esperança de outra alguém um dia quem sabe ser parecida com a memória que guardei de ti
numa pressa diabética do dia chegar e quando fazê-lo estar sem pressa por mais que estará
nada como o fim, e, mais, como o depois do fim - que faz durar, muito além do que durara, o início e o meio.
"nada como poder abaixar ou desligar de vez o volume da voz que diz o inconveniente aos nossos ouvidos"
nada como a vida e a irônica e constante parcela de morte na qual ela se divide
na qual, se esfacelando e almofadando, o crepúsculo se espalha à palma de meu dedão
nada como a vista que se entrefecha no horizonte e no olhar e na polpa da pálpebra o sol que queima e a manhã que nasce à beira da praia e nada, na espuma, mas nada
nada mesmo como a angústia de não ter mais tempo e um pedaço de si para dias assim
nada como se pôr as tardes ao seu colo, e nada como esperar você chegar de braços dados comigo
no pensamento e no corpo, logo mais, e, ainda mais, logo menos
nada como lamentar quando isso tiver acabado, para sempre e comigo
na esperança de outra alguém um dia quem sabe ser parecida com a memória que guardei de ti
numa pressa diabética do dia chegar e quando fazê-lo estar sem pressa por mais que estará
nada como o fim, e, mais, como o depois do fim - que faz durar, muito além do que durara, o início e o meio.
"nada como poder abaixar ou desligar de vez o volume da voz que diz o inconveniente aos nossos ouvidos"
Saturday, July 04, 2009
Sandice
eu choro quando o céu fica azul
durmo com as janelas abertas e as luzes acesas
me tranco no banheiro
ou abraço o travesseiro forte
quando quero rir de gargalhar
frentes frias me aquecem
não há chuva que me molhe
eu vendo fiado
eu firo com força quem eu quero bem
eu sorrio pra estranhos na rua
durmo com as janelas abertas e as luzes acesas
me tranco no banheiro
ou abraço o travesseiro forte
quando quero rir de gargalhar
frentes frias me aquecem
não há chuva que me molhe
eu vendo fiado
eu firo com força quem eu quero bem
eu sorrio pra estranhos na rua
átomos
tenho alegria
o dia belo des(a)ponta
meu 'cê' que
cheio de pressa
cheio de si
abraça quem quer abraçar
esperando por metáfase passar e transpassar
o bom que guardou
só que geralmente o caminho é só de ida
a vida também nem sempre é uma ligação covalente
(sei... ou as pessoas que devem achar que tem lá seus elétrons balanceados ~ sei lá)
é o outro lado que vem
e nem tudo o que os outros guardam pra dar
é o que se quer de graça
o dia belo des(a)ponta
meu 'cê' que
cheio de pressa
cheio de si
abraça quem quer abraçar
esperando por metáfase passar e transpassar
o bom que guardou
só que geralmente o caminho é só de ida
a vida também nem sempre é uma ligação covalente
(sei... ou as pessoas que devem achar que tem lá seus elétrons balanceados ~ sei lá)
é o outro lado que vem
e nem tudo o que os outros guardam pra dar
é o que se quer de graça
Wednesday, July 01, 2009
ao sol
o piano esquizofrênico
sozinho no quarto ao lado
que teima em solfejar
que quer estar sozinho
é um ator de primeira
sozinho no quarto ao lado
que teima em solfejar
que quer estar sozinho
é um ator de primeira
Wednesday, June 10, 2009
levele
ocorreu me agora o quanto és bela
e o quanto este fato por si só é cruel
que a tua beleza jamais te servirá de repouso e abrigo
visto que a ela estás presa
e nada que prende pode ser seguro, pode ser branco
o que te consola é curto e acabará muito antes com tua juventude
e em futuras épocas de tristeza
antes de aprenderes a amar
a pureza silenciosa do que é assimétrico sem deixar de ser belo
este desiquílibrio vai te consumir em instantes mais rápidos
como se a cada queda ao chão a este tu familiarizasse-te mais.
evita alimentar-te de saudade, porque esta pesa
porque teu presente é pouco
e o passado, excesso, de acordo a tua prece
jamais serás tão bela quanto ontem, e amanhã será menos do que hoje.
desejo, contudo, que sejam menos estreitas
vossas razões para sorrir, um dia
e culpo menos teu peito e mais a civilização na qual vivemos
e grito porque estamos desesperados em ser breves
muito mais breves do que já breves somos.
e o quanto este fato por si só é cruel
que a tua beleza jamais te servirá de repouso e abrigo
visto que a ela estás presa
e nada que prende pode ser seguro, pode ser branco
o que te consola é curto e acabará muito antes com tua juventude
e em futuras épocas de tristeza
antes de aprenderes a amar
a pureza silenciosa do que é assimétrico sem deixar de ser belo
este desiquílibrio vai te consumir em instantes mais rápidos
como se a cada queda ao chão a este tu familiarizasse-te mais.
evita alimentar-te de saudade, porque esta pesa
porque teu presente é pouco
e o passado, excesso, de acordo a tua prece
jamais serás tão bela quanto ontem, e amanhã será menos do que hoje.
desejo, contudo, que sejam menos estreitas
vossas razões para sorrir, um dia
e culpo menos teu peito e mais a civilização na qual vivemos
e grito porque estamos desesperados em ser breves
muito mais breves do que já breves somos.
Tuesday, June 02, 2009
já dizia o ditado
aqui não há deuses, há bandas de rock
o céu que riscara chuva há de riscar álcool etílico
as nuvens de elefantes à araras se tornam ventiladores de teto
o frio se estanca a grito, o abraço à colcha abafa o choro, a solidão mente o tesão
e a pressa é minha oração, além de que, meu deus, a pressa vai me salvar
o resto de mim que está para trás não vai me alcançar
vai, vai indo que eu sou tanta agonia quanto você
aponto e digo que amo, mas amo pouco, vou ser sincero
mais me visto do que eu quero amar, na verdade
mas realmente, vou me vestir do que eu acho que quero amar
e me trocar quão logo o amor se fure
e me trocar quão logo a roupa acabe
o céu que riscara chuva há de riscar álcool etílico
as nuvens de elefantes à araras se tornam ventiladores de teto
o frio se estanca a grito, o abraço à colcha abafa o choro, a solidão mente o tesão
e a pressa é minha oração, além de que, meu deus, a pressa vai me salvar
o resto de mim que está para trás não vai me alcançar
vai, vai indo que eu sou tanta agonia quanto você
aponto e digo que amo, mas amo pouco, vou ser sincero
mais me visto do que eu quero amar, na verdade
mas realmente, vou me vestir do que eu acho que quero amar
e me trocar quão logo o amor se fure
e me trocar quão logo a roupa acabe
Monday, June 01, 2009
dois
espelho, abençoa-me e banha-me com teu mercúrio, pois
espelho, revelo-me a imagem que apagas ou
que devolve-me com má vontade suprema
espelho, deflagro-me teu reflexo mais inconstante
e cada mancha irremovível que irá pungir-lhe de agora em diante.
espelho que estilhaça-se contra o pulso, a vista, o chão e a sorte
apara para todas as direções a luz que te tocar o centro
quando este quarto deixar de ser escuro, por favor.
espelho aferroado ao céu desta cama desfeita
traz-me duma vez de volta a turbulência dos gritos da lua passada e diga-me
aonde se encaminham agora aqueles corpos sôfregos, mas trate de poupar o meu.
espelhos prestes a refletirem os lábios dela, aprisionai-os para mim
seja qual cor tenham neste instante
seja com qual saliva tenham se fundido ultimamente
seja que parêntese tenham riscado à tua superfície esta manhã.
espelho que quebra conforme meu punho atinge a própria face minha
esfarela mais do que minha imagem mal reprisada, além
esfarela mais que este riso ausente em meu rosto, amém.
espelho, revelo-me a imagem que apagas ou
que devolve-me com má vontade suprema
espelho, deflagro-me teu reflexo mais inconstante
e cada mancha irremovível que irá pungir-lhe de agora em diante.
espelho que estilhaça-se contra o pulso, a vista, o chão e a sorte
apara para todas as direções a luz que te tocar o centro
quando este quarto deixar de ser escuro, por favor.
espelho aferroado ao céu desta cama desfeita
traz-me duma vez de volta a turbulência dos gritos da lua passada e diga-me
aonde se encaminham agora aqueles corpos sôfregos, mas trate de poupar o meu.
espelhos prestes a refletirem os lábios dela, aprisionai-os para mim
seja qual cor tenham neste instante
seja com qual saliva tenham se fundido ultimamente
seja que parêntese tenham riscado à tua superfície esta manhã.
espelho que quebra conforme meu punho atinge a própria face minha
esfarela mais do que minha imagem mal reprisada, além
esfarela mais que este riso ausente em meu rosto, amém.
Sunday, May 24, 2009
(por favor, sem desespero, eu juro que esse post disserta acerca de um conteúdo otimista):
sempre trabalhem com a possibilidade de serem amados por nada e ninguém.
Sunday, May 17, 2009
no ritorna più
I
o poeta estava passeando de mão dada com minha solidão
acenava pela janela do ônibus uma semi-conhecida que beijava
o vento, dedicando seu sorriso ao resto de céu azul que esvaziava a minha tarde
outros poetas, mancos e manetas, jamais escreveram um poema
e detestavam ser citados em notas de rodapé, em livros de auto-ajuda
os outros poetas eram como ele, afinal, e dedicavam as sobras do sol ao prazer barato de caminhar sozinho antes das primeiras estrelas dizerem 'oi' (ainda que haja estrelas e estrelas)
II
voltando ao ponto de partida, odiava com um ódio seco como sua tosse tísica ser lembrado por tanto tempo sem ter feito nada que considerasse adjetivo nato de prazer e ria de si e do espelho pendurado no teto do hotel barato onde dorme enfim sentindo-se bem ao ouvir dos quartos ao lado gritos de desespero, choro, gozo, e se lembra da noite passada, dividia no colo quente outra lembrança, que daqui umas horas já também lembraria menos, se rubra, se morena, se indígena, se afro-descendente, se iguais, iguais, iguais
iguais, e abrindo a porta do quarto, e dirigindo-se a rua vazia de lembranças
sentia-se novo, são, salvo, a lata que chutava com força batia forte como devia na parede
voltava com força dobrada reduzida, e passava por esquinas onde já sentara e adormecera em vidas passadas, e a noite pela metade consigo assim desacompanhava tais memórias, por vezes correndo em desespero, para ter certeza de que deixara-as para trás à uma distância segura.
...que fosse escura a avenida prestes a acabar, escura o bastante para ser impossível ler na próxima placa a palavra "Retorno"
III
o tempo passaria em breve, e em breve seria a lua tua, no assento de casa
no choro do próprio cão, do beber da própria água e estancar as próprias manchas de sangue no vestido dela, para ouvir do passado como que agora dizer:
"já esqueci que tinha pressa e esperança de estar aqui"
diz lhe ainda que vida e dor passam, e diz me também, o poeta, que dos rostos que me rodeiam agora nesse metrô tenho receio e dúvida, pois sei que jamais verei uma vez mais nenhum deles e eu rabisco os versos que evitarei de ler da próxima vez, mesmo sabendo que jamais voltarei a tocar estas páginas, e detesto, protesto, infesto minha saliva de pressa e angústia... daí enfio meu sorriso no peito com pressa e escondo, sufoco meu amor até que ele seja um gole só de raiva, jogo o livro já sem capa dentro da mochila, levanto como se tivesse descoberto derepentemente ter esquecido um compromisso inadiável no sentido oposto para o qual eu estava me encaminhando até um minuto atrás.
erro o ônibus, desço a estação errada, me atraso e desencontro de quem...
...
...da viagem que retorno, da saída que se traça pisando quando pisa o lar
digo que tenho certeza apenas da pena que sinto de mim, e me digo, do alto do meu cinismo
que a odeio pela mesma razão estúpida que um mendigo, ao ser cagado por um pombo, tem por este que defeca.
e diria mais se o sono me arremessasse ao despertar ao invés de
IV
passa rápido a jovem que se joga nos braços apaixonados e desconhecidos do amante
e juram jurar as juras mais sinceras que alguém possa proferir por entre as paredes desse cinema nessa sessão deste mesmo horário e dia de agora
disso ele, o poeta, pensa um verso belo, e recita para si, mas acha-o breve e futil, e engole o cuspe dentro do próximo trago de vaidade, mas dita aqui, nestas páginas amassadas, da vista prensada se pressionando a ler o que está faltando, e diz depois que o que há de mais precioso para se guardar da vida é o amor que se viveu, mesmo se este se sepulta há muito mais tempo do que a vida que se segue depois dele, mesmo que a suposta fila referida anteriormente já tenha andado, esvaziado, preenchido-se novamente, e desertificado-se outra vez mais e me ri o desdém que guarda para essas horas, e aponta pra tela do cinema mudo ditando no final da estrofe: "há mais palavras num filme de Chaplin que sentido na vida de 99% das pessoas nessa sala, contando com o projecionista, e, claro, a mim mesmo, aqui, ditando o talvez e o incerto de tantas coisas que faço de conta que vivo. só faça de conta que me lê e fica tudo por isso mesmo."
daí, acho que concordo e viro pro lado, e concorda também o casal que citei, agora prestes a silenciosamente transar de tédio, e a sessão interminável termina e esqueço a razão de tanto desespero até a próxima...
(...)
V
quando sou obrigado a beber a água que cai do teto de casa eu chego a conclusão que estou preso, imóvel e mexo meu corpo com força e o que eu consigo é correr (deixando meu corpo para trás) para os braços de minha mãe, por mais que ela esteja fora de casa, em festas que sempre me convida só para ouvir o som do meu desprezo e
VI
e do susto despertamos, eu e a melancolia de uma civilização inteira
acenava pela tela da televisão a jovem de cabelos cacheados rubros, beijando sem paixão, como quem está a pensar em outra coisa, como quem se despede de um desconhecido, e a madrugada inteira saía caladamente pela porta da frente.
o frio e o vão azul claro que escapam e espreitam pela veneziana esvaziam minha noite passada, pois, às 7 horas, o mundo vai ter de voltar a girar, e encarar de frente a vergonha à luz do dia, íris na íris, e por mais que, infortunamente, tenha que fazê-lo pela raza perspectiva minha, o que nos resta a essa altura é a resignação que cultivam os doentes terminais daquele hospital no meio da Avenida Rio Branco.
o poeta estava passeando de mão dada com minha solidão
acenava pela janela do ônibus uma semi-conhecida que beijava
o vento, dedicando seu sorriso ao resto de céu azul que esvaziava a minha tarde
outros poetas, mancos e manetas, jamais escreveram um poema
e detestavam ser citados em notas de rodapé, em livros de auto-ajuda
os outros poetas eram como ele, afinal, e dedicavam as sobras do sol ao prazer barato de caminhar sozinho antes das primeiras estrelas dizerem 'oi' (ainda que haja estrelas e estrelas)
II
voltando ao ponto de partida, odiava com um ódio seco como sua tosse tísica ser lembrado por tanto tempo sem ter feito nada que considerasse adjetivo nato de prazer e ria de si e do espelho pendurado no teto do hotel barato onde dorme enfim sentindo-se bem ao ouvir dos quartos ao lado gritos de desespero, choro, gozo, e se lembra da noite passada, dividia no colo quente outra lembrança, que daqui umas horas já também lembraria menos, se rubra, se morena, se indígena, se afro-descendente, se iguais, iguais, iguais
iguais, e abrindo a porta do quarto, e dirigindo-se a rua vazia de lembranças
sentia-se novo, são, salvo, a lata que chutava com força batia forte como devia na parede
voltava com força dobrada reduzida, e passava por esquinas onde já sentara e adormecera em vidas passadas, e a noite pela metade consigo assim desacompanhava tais memórias, por vezes correndo em desespero, para ter certeza de que deixara-as para trás à uma distância segura.
...que fosse escura a avenida prestes a acabar, escura o bastante para ser impossível ler na próxima placa a palavra "Retorno"
III
o tempo passaria em breve, e em breve seria a lua tua, no assento de casa
no choro do próprio cão, do beber da própria água e estancar as próprias manchas de sangue no vestido dela, para ouvir do passado como que agora dizer:
"já esqueci que tinha pressa e esperança de estar aqui"
diz lhe ainda que vida e dor passam, e diz me também, o poeta, que dos rostos que me rodeiam agora nesse metrô tenho receio e dúvida, pois sei que jamais verei uma vez mais nenhum deles e eu rabisco os versos que evitarei de ler da próxima vez, mesmo sabendo que jamais voltarei a tocar estas páginas, e detesto, protesto, infesto minha saliva de pressa e angústia... daí enfio meu sorriso no peito com pressa e escondo, sufoco meu amor até que ele seja um gole só de raiva, jogo o livro já sem capa dentro da mochila, levanto como se tivesse descoberto derepentemente ter esquecido um compromisso inadiável no sentido oposto para o qual eu estava me encaminhando até um minuto atrás.
erro o ônibus, desço a estação errada, me atraso e desencontro de quem...
...
...da viagem que retorno, da saída que se traça pisando quando pisa o lar
digo que tenho certeza apenas da pena que sinto de mim, e me digo, do alto do meu cinismo
que a odeio pela mesma razão estúpida que um mendigo, ao ser cagado por um pombo, tem por este que defeca.
e diria mais se o sono me arremessasse ao despertar ao invés de
IV
passa rápido a jovem que se joga nos braços apaixonados e desconhecidos do amante
e juram jurar as juras mais sinceras que alguém possa proferir por entre as paredes desse cinema nessa sessão deste mesmo horário e dia de agora
disso ele, o poeta, pensa um verso belo, e recita para si, mas acha-o breve e futil, e engole o cuspe dentro do próximo trago de vaidade, mas dita aqui, nestas páginas amassadas, da vista prensada se pressionando a ler o que está faltando, e diz depois que o que há de mais precioso para se guardar da vida é o amor que se viveu, mesmo se este se sepulta há muito mais tempo do que a vida que se segue depois dele, mesmo que a suposta fila referida anteriormente já tenha andado, esvaziado, preenchido-se novamente, e desertificado-se outra vez mais e me ri o desdém que guarda para essas horas, e aponta pra tela do cinema mudo ditando no final da estrofe: "há mais palavras num filme de Chaplin que sentido na vida de 99% das pessoas nessa sala, contando com o projecionista, e, claro, a mim mesmo, aqui, ditando o talvez e o incerto de tantas coisas que faço de conta que vivo. só faça de conta que me lê e fica tudo por isso mesmo."
daí, acho que concordo e viro pro lado, e concorda também o casal que citei, agora prestes a silenciosamente transar de tédio, e a sessão interminável termina e esqueço a razão de tanto desespero até a próxima...
(...)
V
quando sou obrigado a beber a água que cai do teto de casa eu chego a conclusão que estou preso, imóvel e mexo meu corpo com força e o que eu consigo é correr (deixando meu corpo para trás) para os braços de minha mãe, por mais que ela esteja fora de casa, em festas que sempre me convida só para ouvir o som do meu desprezo e
VI
e do susto despertamos, eu e a melancolia de uma civilização inteira
acenava pela tela da televisão a jovem de cabelos cacheados rubros, beijando sem paixão, como quem está a pensar em outra coisa, como quem se despede de um desconhecido, e a madrugada inteira saía caladamente pela porta da frente.
o frio e o vão azul claro que escapam e espreitam pela veneziana esvaziam minha noite passada, pois, às 7 horas, o mundo vai ter de voltar a girar, e encarar de frente a vergonha à luz do dia, íris na íris, e por mais que, infortunamente, tenha que fazê-lo pela raza perspectiva minha, o que nos resta a essa altura é a resignação que cultivam os doentes terminais daquele hospital no meio da Avenida Rio Branco.
Thursday, May 14, 2009
Sonata
Ela: à beira da janela, sem aliança
O sol já fazia de conta o seu desprezo
E vice e versa, quietas, palavra e ela
A manhã ensaia o passo de sua dança
última, pressa dissonante, desapreço
Cantara antes da banda o amor à capela
Queria logo ser o colo, a madrugada
sem interlúdio vespertino ou meio dia
Amar de um gole só o sereno por vir
Porém, brotará tais esperanças, que fada?
Se entre ambos os atos destas vidas havia
Mais horizontes que o oceano ia suprir
O sol já fazia de conta o seu desprezo
E vice e versa, quietas, palavra e ela
A manhã ensaia o passo de sua dança
última, pressa dissonante, desapreço
Cantara antes da banda o amor à capela
Queria logo ser o colo, a madrugada
sem interlúdio vespertino ou meio dia
Amar de um gole só o sereno por vir
Porém, brotará tais esperanças, que fada?
Se entre ambos os atos destas vidas havia
Mais horizontes que o oceano ia suprir
Sunday, May 10, 2009
9 dicas pra poetas pós-modernos que fingem que não o são, ou pretendem um dia sê-los para fingí-los não sê-los
[insira aqui uma frase de efeito, se inspire em nicks de msn. "a vida é como um filme em preto e branco cujos atores se comportam como se tudo fosse colorido". faça de conta que foi extremamente pensado e filosofado, quando tudo o que você fez foi falar a primeira coisa sem noção que lhe veio à cabeça]
[insira aqui uma estrofe inteira com adjetivos óbvios e nomes comuns. mas finja que não são. "amor desnudo", "chuva cinza", "riso pálido", "olhos de faísca" são boas dicas]
[aqui é a hora que você fará trocadilhos idiossincráticos, como "cuscuz" com "avestruz", e "tatue" seguido de "menstrue", pra provar sua mente aberta às pós-modernidades]
[escreva todos os seus textos em letras minúsculas. estamos na era da internet, então você precisa propagar a idéia de que na "contemporaneidade a língua enfim se faz livre das amarras de uma sociedade opressora que..." é isso aí]
[quando passar da fase dos adjetivos óbvios e nomes banais, faça metáforas que ninguém compreende. como "a vida inteira passa em canos enferrujados e minhas lágrimas são chuva ácida." e justifique isso com uma afirmativa como "a verdadeira poesia vai além dos alicerces da razão" ou algo do gênero]
[tenha a afirmativa citada anteriormente salva no seu "ctrl+c" e anotada na penúltima folha do seu caderno. para emergências]
[faça textos idiotas e irônicos divididos em tópicos diferentes. pode ser uma receita de bolo disfarçada ou um passo-passo para qualquer coisa. isso também é original e pós-moderno. pra ser mais cool ainda, diga que é um poema com um olhar crítico da civilização ocidental disfarçado com uma pequena influencia de humor britânico, à la Monty Phyton. (nossa, boa, vou anotar isso...)]
[escreva títulos longos e versos assimétricos para seus poemas. para demonstrar sua versatilidade, depois, escreva sonetos de métrica incorreta. justifique o equivoco com o mesmo papo sobre "pós-modernidade liberta o individuo contemporâneo..." blablablá. use essa mesma desculpa esfarrapada pra justificar seus erros gramaticais]
[compre meia dúzia e meia de dor e amadurecimento no mercado livre. reze para não darem um lance maior que o seu antes das 2 horas da tarde do próximo sábado, senão...]
[insira aqui uma estrofe inteira com adjetivos óbvios e nomes comuns. mas finja que não são. "amor desnudo", "chuva cinza", "riso pálido", "olhos de faísca" são boas dicas]
[aqui é a hora que você fará trocadilhos idiossincráticos, como "cuscuz" com "avestruz", e "tatue" seguido de "menstrue", pra provar sua mente aberta às pós-modernidades]
[escreva todos os seus textos em letras minúsculas. estamos na era da internet, então você precisa propagar a idéia de que na "contemporaneidade a língua enfim se faz livre das amarras de uma sociedade opressora que..." é isso aí]
[quando passar da fase dos adjetivos óbvios e nomes banais, faça metáforas que ninguém compreende. como "a vida inteira passa em canos enferrujados e minhas lágrimas são chuva ácida." e justifique isso com uma afirmativa como "a verdadeira poesia vai além dos alicerces da razão" ou algo do gênero]
[tenha a afirmativa citada anteriormente salva no seu "ctrl+c" e anotada na penúltima folha do seu caderno. para emergências]
[faça textos idiotas e irônicos divididos em tópicos diferentes. pode ser uma receita de bolo disfarçada ou um passo-passo para qualquer coisa. isso também é original e pós-moderno. pra ser mais cool ainda, diga que é um poema com um olhar crítico da civilização ocidental disfarçado com uma pequena influencia de humor britânico, à la Monty Phyton. (nossa, boa, vou anotar isso...)]
[escreva títulos longos e versos assimétricos para seus poemas. para demonstrar sua versatilidade, depois, escreva sonetos de métrica incorreta. justifique o equivoco com o mesmo papo sobre "pós-modernidade liberta o individuo contemporâneo..." blablablá. use essa mesma desculpa esfarrapada pra justificar seus erros gramaticais]
[compre meia dúzia e meia de dor e amadurecimento no mercado livre. reze para não darem um lance maior que o seu antes das 2 horas da tarde do próximo sábado, senão...]
(quando se coloca pra editar algo aqui no blog, aparecem 4 abas no canto superior da tela, "Postagem, Configurações, blablabla". na aba 'Postagem', existem outras 3 sub-abas, dentre elas, a primeira, que eu me referirei a seguir.)
acho tão metafísico esse botão estampando a palavra "Criar", na primeira sub-aba da sessão de "Postagem". juro, tanto por ele vir de cara, a primeira e imponente opção, quanto, mas principalmente por dele vir, justamente, a derradeira e única saída para a produção e publicação de textos. tá, e? é que eu vejo muito peso no verbo "criar", e, talvez só veja e sinta tal peso em outro verbo, o "amar", provavelmente por razões bem similares... talvez eu acredite que ambos os verbos criem, em um sentido mais abstrato, mas em espécies diferentes. um, coisas 'inanimadas' além do indíviduo, outro, 'laços' entre coisas animadas, também além dele (embora muita gente ame coisas de existência pessoal, sem vida, literalmente, como amar um carro ou uma pia entupida, mas isso é outra história, pois pra mim estão apenas exteriorizando um pedaço de si no objeto x e ali...ENFIM, isso é outra história. e pro inferno minha achologia limitada).
dai garoam as perguntas... e os filhos? se criam? só se utilizar-se da etimologia "cuidar", associando seu sentido ao verbo que me refiro. porque parir um filho é diferente de "criar" um. na verdade a própria noção de criatura criada (nós) já traz por definição o ato de dar a luz por união sexual e/ou amorosa de um novo ser. nada está sendo criado nesse sentido, apenas está sendo efetivada a continuidade da criação em seus termos "contratuais", digamos. se fôssemos tão poderosos assim, poderíamos parir crianças com rabo de porco, como no romance de Garcia Marquez, ou eu poderia optar por criar um rinoceronte africano com minha futura esposa (que provavelmente me mandaria pro inferno ou exigiria um divórcio logo que eu tenha proposto isso à ela).
outra pergunta: qualquer tipo de criação leva a um elo de exteriorização do indíviduo? talvez, sei lá. eu posso criar algo dentro de mim mesmo e fazer isso brotar? sim, isso é o sentido da criação "artística", naquele papo metafísico que endeusa quem produz qualquer tipo de arte. mas e se criar algo dentro de si e isso continuar confinado lá, terá sido isso, nessas condições, criado? e se eu disser que criei, que amei, que fiz um cadinho a mais de vida partindo de mim, sem ter botado pra fora, seja em forma de discurso oral, ou em poema, conto, babaquice. alguém acreditaria? poderia clicar no botão "Criar" e dizer: "pensei num poema. eu juro"? vocês acreditariam em mim?
acho tão metafísico esse botão estampando a palavra "Criar", na primeira sub-aba da sessão de "Postagem". juro, tanto por ele vir de cara, a primeira e imponente opção, quanto, mas principalmente por dele vir, justamente, a derradeira e única saída para a produção e publicação de textos. tá, e? é que eu vejo muito peso no verbo "criar", e, talvez só veja e sinta tal peso em outro verbo, o "amar", provavelmente por razões bem similares... talvez eu acredite que ambos os verbos criem, em um sentido mais abstrato, mas em espécies diferentes. um, coisas 'inanimadas' além do indíviduo, outro, 'laços' entre coisas animadas, também além dele (embora muita gente ame coisas de existência pessoal, sem vida, literalmente, como amar um carro ou uma pia entupida, mas isso é outra história, pois pra mim estão apenas exteriorizando um pedaço de si no objeto x e ali...ENFIM, isso é outra história. e pro inferno minha achologia limitada).
dai garoam as perguntas... e os filhos? se criam? só se utilizar-se da etimologia "cuidar", associando seu sentido ao verbo que me refiro. porque parir um filho é diferente de "criar" um. na verdade a própria noção de criatura criada (nós) já traz por definição o ato de dar a luz por união sexual e/ou amorosa de um novo ser. nada está sendo criado nesse sentido, apenas está sendo efetivada a continuidade da criação em seus termos "contratuais", digamos. se fôssemos tão poderosos assim, poderíamos parir crianças com rabo de porco, como no romance de Garcia Marquez, ou eu poderia optar por criar um rinoceronte africano com minha futura esposa (que provavelmente me mandaria pro inferno ou exigiria um divórcio logo que eu tenha proposto isso à ela).
outra pergunta: qualquer tipo de criação leva a um elo de exteriorização do indíviduo? talvez, sei lá. eu posso criar algo dentro de mim mesmo e fazer isso brotar? sim, isso é o sentido da criação "artística", naquele papo metafísico que endeusa quem produz qualquer tipo de arte. mas e se criar algo dentro de si e isso continuar confinado lá, terá sido isso, nessas condições, criado? e se eu disser que criei, que amei, que fiz um cadinho a mais de vida partindo de mim, sem ter botado pra fora, seja em forma de discurso oral, ou em poema, conto, babaquice. alguém acreditaria? poderia clicar no botão "Criar" e dizer: "pensei num poema. eu juro"? vocês acreditariam em mim?
Friday, May 01, 2009
sorrio a vida de pouco em pouco porque me faz bem
ser parcelado, desapressado, descompromisso contigo
que ei de levar prum outro plano, babe
num outro plano estaremos de braços dados
embora você se apresse pro amor dado
então você se aquece e joga os dados
seu cheiro, lavanda, e outros nomes com anda
vai, vai duma vez que já o amor desanda
sai mais com pressa que receio, vai
antes, antes que eu te chame de luanda, amanda
leva essa sofreguidão pra lá que aqui eu quero tua mão
não o teu bilhete de volto logo nunca beijos
quero sorrir a calma de cantar lado a lado essa miragem viva
mero sorrir da alma, andar despedaçada essa coragem fina
se engrandecendo diante do teu medo e da sua fuga em ré menor
se repetalando tão inversamente proporcional ao teu adeus
cedendo e minto: estou e vou calmo esquecendo a vida
que ela me esquece e somos dois: corpos ao vento e ao sol
sombra e grão, horizonte me perpendicula, firmamento se acima
caia por mim sua tempestade de areia que a visto inteira
ser parcelado, desapressado, descompromisso contigo
que ei de levar prum outro plano, babe
num outro plano estaremos de braços dados
embora você se apresse pro amor dado
então você se aquece e joga os dados
seu cheiro, lavanda, e outros nomes com anda
vai, vai duma vez que já o amor desanda
sai mais com pressa que receio, vai
antes, antes que eu te chame de luanda, amanda
leva essa sofreguidão pra lá que aqui eu quero tua mão
não o teu bilhete de volto logo nunca beijos
quero sorrir a calma de cantar lado a lado essa miragem viva
mero sorrir da alma, andar despedaçada essa coragem fina
se engrandecendo diante do teu medo e da sua fuga em ré menor
se repetalando tão inversamente proporcional ao teu adeus
cedendo e minto: estou e vou calmo esquecendo a vida
que ela me esquece e somos dois: corpos ao vento e ao sol
sombra e grão, horizonte me perpendicula, firmamento se acima
caia por mim sua tempestade de areia que a visto inteira
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