dê sinais de vida
rs
Monday, April 27, 2009
Monday, April 13, 2009
ensejo
que deus abençoe-os até sua a porta abrir e fechar contra minha face
que deus abençoe quem com amor extende a mão para retirá-la com pressa logo em seguida
e que perdoe com amor cada beijo escarrado a distância que darás de peito aberto (e mais, que mais sagrado ainda seja o ato de nem assim lhe reagir e continuar a caminhar simplesmente)
que deus abençoe nosso lar maior prisão que poderíamos ter comprado à prestação, consórcio e financiamento
que deus abençoe nosso futuro para sermos felizes com cada pedaço de chão no qual caímos tontos de bêbados e podemos chamar contudo de nosso e abençoe-nos uma vez mais quando isso assim nos for o bastante
que deus abençoe com seu poder e glória o fato de termos aprendido a viver apesar de: apesar de não vivermos, apesar de termos aprendido a não querer viver, e que a partir do momento que isso for razão de nossa felicidade seja instaurada a paz em nossa alma
que deus abençoe a graça de termos nascido prontos para compreender ninguém, nem a nós, muito menos (e agora damos uma risada) ao próximo
que deus abençoe estarmos nos beijando agora e termos sidos agraciados com o dom divino de não sentirmos falta de nada depois que o tempo impor-se como de natural separando-nos
que deus abençoe o fato de eu ter braços para cruzar ao invés de abraçar, e pernas para correr ao invés de andar (lado a lado)
que deus abençoe o nosso pouco saber, pouco saber torto de lidar com o que queremos de fato, com o que queremos do passado
que deus abençoe os dias que nem a chuva que me traz febre e que nem o sol que me sua o corpo seriam o bastante para fazer esquecer de mim em detrimento do meu corpo e que por alguns instantes eu poderia sim talvez quem sabe estar em algum lugar além de mim e conseguir desejar um pouco, mas um pouco que fosse e que seja que eu fosse um pouco bem pouco daquelas coisas que um dia eu quis com tanta força e quando digo isso me refiro menos aos sonhos de infância que ao me foi instruído: afinal o que eu desejo é sim o que me foi dito como bom, por isso mesmo digo que eu quero o mal, eu quero ver o ódio abençoado a impregnar minha alma e fazer-me pecar, mas pecar com força maior, força estranha a mim então, força incisiva principalmente contra aquilo que me definiram pecado
que deus abençoe o tesão que sempre sinto por ti se o próprio me ajuda a sentir algo além dele
que deus abençoe o bloco que passa e me leva e me quer porentre seu canto pois quero-lhe por entre oqueeu canto também
que deus abençoe as estrelas cujo nome me é impossível esquecer
que deus abençoe o desespero que sinto quando diante da minha vida inteira a única coisa que consigo querer é fazer sentido
que deus abençoe quem com amor extende a mão para retirá-la com pressa logo em seguida
e que perdoe com amor cada beijo escarrado a distância que darás de peito aberto (e mais, que mais sagrado ainda seja o ato de nem assim lhe reagir e continuar a caminhar simplesmente)
que deus abençoe nosso lar maior prisão que poderíamos ter comprado à prestação, consórcio e financiamento
que deus abençoe nosso futuro para sermos felizes com cada pedaço de chão no qual caímos tontos de bêbados e podemos chamar contudo de nosso e abençoe-nos uma vez mais quando isso assim nos for o bastante
que deus abençoe com seu poder e glória o fato de termos aprendido a viver apesar de: apesar de não vivermos, apesar de termos aprendido a não querer viver, e que a partir do momento que isso for razão de nossa felicidade seja instaurada a paz em nossa alma
que deus abençoe a graça de termos nascido prontos para compreender ninguém, nem a nós, muito menos (e agora damos uma risada) ao próximo
que deus abençoe estarmos nos beijando agora e termos sidos agraciados com o dom divino de não sentirmos falta de nada depois que o tempo impor-se como de natural separando-nos
que deus abençoe o fato de eu ter braços para cruzar ao invés de abraçar, e pernas para correr ao invés de andar (lado a lado)
que deus abençoe o nosso pouco saber, pouco saber torto de lidar com o que queremos de fato, com o que queremos do passado
que deus abençoe os dias que nem a chuva que me traz febre e que nem o sol que me sua o corpo seriam o bastante para fazer esquecer de mim em detrimento do meu corpo e que por alguns instantes eu poderia sim talvez quem sabe estar em algum lugar além de mim e conseguir desejar um pouco, mas um pouco que fosse e que seja que eu fosse um pouco bem pouco daquelas coisas que um dia eu quis com tanta força e quando digo isso me refiro menos aos sonhos de infância que ao me foi instruído: afinal o que eu desejo é sim o que me foi dito como bom, por isso mesmo digo que eu quero o mal, eu quero ver o ódio abençoado a impregnar minha alma e fazer-me pecar, mas pecar com força maior, força estranha a mim então, força incisiva principalmente contra aquilo que me definiram pecado
que deus abençoe o tesão que sempre sinto por ti se o próprio me ajuda a sentir algo além dele
que deus abençoe o bloco que passa e me leva e me quer porentre seu canto pois quero-lhe por entre oqueeu canto também
que deus abençoe as estrelas cujo nome me é impossível esquecer
que deus abençoe o desespero que sinto quando diante da minha vida inteira a única coisa que consigo querer é fazer sentido
Sunday, April 12, 2009
de pessoas refaço os lugares
de sorrisos entupo os ladrilhos
das portas batidas revivo as despedidas
lasca caída - pessoa que veio, ficou e passou
na calçada deitada fica aquela que me cedeu o colo
há poucos estranhos passando em suas bicicletas
o rosto novo que me fica é o rosto antigo que ficara antes
a pessoa incógnita que me fita me preenche e compreende
do alto, podia, seria uma zona sul ou o açúcar a me voar
ma'são vozes-radio, ao invés de paisagens-óleo
ecoando o meu peito afora, vi as canções compostas
de conversa, amor, praia, trilha, minha, vida, pódio
se estou lhe fora, sinto-lhe de fato amputada em mim
como se cidade Redentor me rendesse a luta
tampouco o asfalto ou o horizonte cimento tenham culpa
ciente faço o amor ferro e brasa que vós me fizestes
aonde quer que eu vá carrego já, já é tarde, diria
lugares? sim pessoas, nuas em mim, a luz do dia
de sorrisos entupo os ladrilhos
das portas batidas revivo as despedidas
lasca caída - pessoa que veio, ficou e passou
na calçada deitada fica aquela que me cedeu o colo
há poucos estranhos passando em suas bicicletas
o rosto novo que me fica é o rosto antigo que ficara antes
a pessoa incógnita que me fita me preenche e compreende
do alto, podia, seria uma zona sul ou o açúcar a me voar
ma'são vozes-radio, ao invés de paisagens-óleo
ecoando o meu peito afora, vi as canções compostas
de conversa, amor, praia, trilha, minha, vida, pódio
se estou lhe fora, sinto-lhe de fato amputada em mim
como se cidade Redentor me rendesse a luta
tampouco o asfalto ou o horizonte cimento tenham culpa
ciente faço o amor ferro e brasa que vós me fizestes
aonde quer que eu vá carrego já, já é tarde, diria
lugares? sim pessoas, nuas em mim, a luz do dia
Saturday, April 11, 2009
fds
aos sábados de madrugada querida meu amor é posto justo ao que guardo bem na memória e relevo ainda na medida que esqueço que a vida inteira será ainda o que é depois da noite que passa sem luar pelo calçadão com peito postiço em 10 reais a hora. meu beijo ao teu beijo será manhã e paz como o álcool-3-por-5 que sai de mim pra te dizer bom dia e adormeçer-me como anjo caído do décimo andar ao décimo quinto sono. o quanto você me dói (à cabeça e ao coração) é tão bom de notar porque se assim é é porque deixo e se deixo é porque minha vontade já se faz tão relevante como a programação dominical de televisão aberta. punja-me o teu o perdão até o próximo fim de semana. seja meu cálice rendenção e abrigo. amém.
Thursday, April 09, 2009
veríssimo
vamos ver pra que lado vamos correr agora
vamos correr agora que a pressa vem aí
atrás de carne podre fresca e almas virgens em caridade
cheio meu peito incha de tanta interjeição por dizer
de tanta saudade deixada pelo caminho que tropeças tu
que destinada fora a querer demais aquilo que jogas fora
ó, teto azul de nuvens cujo traço desaprendo
ó, descampado que preso ao meu quarto sopra um vento magro
opaco, incapaz, leva e deixa aqui com e sem urgência quem eu quero
vamos ver para que lado tu sopras, embora, vento
creia eu que há para ver menos, a essa altura, teu destruir
que o que constróis, que corre, que curra, que o que acorrenta
numa necessidade cega e tísica, que te passam pelo tempo
leve, desmantele e sele os abraços dos braços que ficam dos que vão
seja o peso inexistente, seja o esquecimento maduro que preciso (para ser) forte
vamos correr agora que a pressa vem aí
atrás de carne podre fresca e almas virgens em caridade
cheio meu peito incha de tanta interjeição por dizer
de tanta saudade deixada pelo caminho que tropeças tu
que destinada fora a querer demais aquilo que jogas fora
ó, teto azul de nuvens cujo traço desaprendo
ó, descampado que preso ao meu quarto sopra um vento magro
opaco, incapaz, leva e deixa aqui com e sem urgência quem eu quero
vamos ver para que lado tu sopras, embora, vento
creia eu que há para ver menos, a essa altura, teu destruir
que o que constróis, que corre, que curra, que o que acorrenta
numa necessidade cega e tísica, que te passam pelo tempo
leve, desmantele e sele os abraços dos braços que ficam dos que vão
seja o peso inexistente, seja o esquecimento maduro que preciso (para ser) forte
Monday, March 30, 2009
livre como a noite que entra em forma de brisa fria pelas frestas da veneziana
livre de mim o escuro que faço conforme te vejo e te faço em mim pra mim apenas
livre assim estarei no momento que fechar do lado de fora (de mim) a cegueira que
livra dum açoite o tédio tanto amor sem causa se me amo menos o resto do mundo e fim.
livre de mim o escuro que faço conforme te vejo e te faço em mim pra mim apenas
livre assim estarei no momento que fechar do lado de fora (de mim) a cegueira que
livra dum açoite o tédio tanto amor sem causa se me amo menos o resto do mundo e fim.
Sunday, March 29, 2009
não há conceito sobre a vida forte o bastante que resista a um desastre de avião
nada a temer = nada a encarar
nada a encarar = problema de vista
falo a verdade mais por falta de vocação à mentira que por honestidade
"melhor não ter o que confessar e pecar sem referencial de erro"
ultimamente, a melhor qualidade que me descobri foi de eu não ser tão 'bom' quanto que eu achava que era.
[da serie 'eu gosto do obvio' ~perdi a conta]
nada a temer = nada a encarar
nada a encarar = problema de vista
falo a verdade mais por falta de vocação à mentira que por honestidade
"melhor não ter o que confessar e pecar sem referencial de erro"
ultimamente, a melhor qualidade que me descobri foi de eu não ser tão 'bom' quanto que eu achava que era.
[da serie 'eu gosto do obvio' ~perdi a conta]
Wednesday, March 18, 2009
Monday, March 16, 2009
migs
ama do primeiro olhar, não da segunda mão
ama meu peito sem sangrar, sem escorrer
ao ar livre, sem gritar auto-falante que ama
a tarde que eu cheguei e soube de cara que eu queria você
queria você, mais que nua, fosse vestida de mais que simetria, de moda, de estética, de meio, de baba, de assobio e cantada, que fosse cantada como canção que devia ser, ao invés
em segundo lugar, guardo de ti a certeza do que me faz
perder a paciência, o ônibus e as horas, você me traz
cada xingo e ódio com mesmo amor que guardaria
as traições que 'cê me faria, mas nem fará
por terceiro, pera, vou lembrar bem, eu acho, ter achado, te querer com os outros quando preciso, comigo quando eu preciso, qualquer parte que precise
só me deixa um recado quando for porque necessito sim que você me seja também.
ama meu peito sem sangrar, sem escorrer
ao ar livre, sem gritar auto-falante que ama
a tarde que eu cheguei e soube de cara que eu queria você
queria você, mais que nua, fosse vestida de mais que simetria, de moda, de estética, de meio, de baba, de assobio e cantada, que fosse cantada como canção que devia ser, ao invés
em segundo lugar, guardo de ti a certeza do que me faz
perder a paciência, o ônibus e as horas, você me traz
cada xingo e ódio com mesmo amor que guardaria
as traições que 'cê me faria, mas nem fará
por terceiro, pera, vou lembrar bem, eu acho, ter achado, te querer com os outros quando preciso, comigo quando eu preciso, qualquer parte que precise
só me deixa um recado quando for porque necessito sim que você me seja também.
Sunday, March 15, 2009
a cura pra essa pressa que me consome
pausar logo mais um "quê" que lhe darei
em breve, juro, vamos nos salvar, por quem
daqui a pouco, espere um pouco, me dê um pouco
de tempo, do tempo descompromissado
que você despejava do bom dia ao por favor
das recepções, ao salão, no bar e no elevador
até amanhã, me esteja, me despeja em ti
a dura verdade é metade do que já foi
era que eu queria muito guardado em mim
você cai tão cedo, já as seis beija com medo
minha boca, e bate a porta, e mata a sorte
sem chover, amor, salta esse infinito
que você ensejava do bom dia ao por favor
se acalme, em alguns minutos-luz chegaremos
aonde queríamos estar - e até lá, esteja aqui.
pausar logo mais um "quê" que lhe darei
em breve, juro, vamos nos salvar, por quem
daqui a pouco, espere um pouco, me dê um pouco
de tempo, do tempo descompromissado
que você despejava do bom dia ao por favor
das recepções, ao salão, no bar e no elevador
até amanhã, me esteja, me despeja em ti
a dura verdade é metade do que já foi
era que eu queria muito guardado em mim
você cai tão cedo, já as seis beija com medo
minha boca, e bate a porta, e mata a sorte
sem chover, amor, salta esse infinito
que você ensejava do bom dia ao por favor
se acalme, em alguns minutos-luz chegaremos
aonde queríamos estar - e até lá, esteja aqui.
Saturday, March 14, 2009
..
eu sou filho das coisas que odeio
eu me digo pelo adeus que lhe nego
refaço na estrela, manhã que rodeio
à órbita remota, mundo, desapego
incircunstancialmente carreguei a saudade em meus braços até o rio baldio mais próximo e lá fizemos nossos filhos com pressa e temor doído de que chovesse, de que nos vissem, de que nos abraçassem e beijassem, de que estivesse escuro em breve, de que o céu aberto se tornasse derepente os elevadores e os azulejos das segundas e quinta-feiras, e com o amor inteiro que nos restava aprendemos a nos jogar com paixão e dúvida nos esgotos e valas da vida pelas quais pássavamos frequentemente desde então e sempre, e deixamos a terra mijada por ratos e cadaverizada por baratas e latas de refrigerante entrar em nossos tênis, e nos arrependemos de nós mesmos afinal.
na tv, na internet, nas poucas rádios que restaram, nas ruas e becos e assaltos, nas boates e botecos, no jardim e colegio, na universidade, nossos estranhos, coadjuvantes, figurantes, pais, amigos, colegas, apresentadores, professores, advogados, personal-trainers, astrólogos, cientistas, psicólogos, filósofos, comentaristas esportivos, narradores, cineastas, cantores, romancistas, poetas, críticos de arte e culinária, nos ensinaram apenas uma palavra, e com ela dizemos, e suas letras desmembramos, recombinamos, resignificamos, negamos o que estava escrito antes de nós, negamos o que fora escrito antes por nós, vezes o bastante até sangrar os ossos da mão suja que buscara em desespero um sentido destro, sem tempo, nem sempre foi possível ser e estar, o tempo esgota e descobrimos só enfim que a tal única palavra era a palavra errada (pra nós).
noite a fora nos bolsos, meus amigos n'umbigo
meu amor na beira da boca, meu prazer na palma da mão
agora esqueço as verdades que me têm lido
e cedo e tarde em mim entram em comunhão
não.
eu me digo pelo adeus que lhe nego
refaço na estrela, manhã que rodeio
à órbita remota, mundo, desapego
incircunstancialmente carreguei a saudade em meus braços até o rio baldio mais próximo e lá fizemos nossos filhos com pressa e temor doído de que chovesse, de que nos vissem, de que nos abraçassem e beijassem, de que estivesse escuro em breve, de que o céu aberto se tornasse derepente os elevadores e os azulejos das segundas e quinta-feiras, e com o amor inteiro que nos restava aprendemos a nos jogar com paixão e dúvida nos esgotos e valas da vida pelas quais pássavamos frequentemente desde então e sempre, e deixamos a terra mijada por ratos e cadaverizada por baratas e latas de refrigerante entrar em nossos tênis, e nos arrependemos de nós mesmos afinal.
na tv, na internet, nas poucas rádios que restaram, nas ruas e becos e assaltos, nas boates e botecos, no jardim e colegio, na universidade, nossos estranhos, coadjuvantes, figurantes, pais, amigos, colegas, apresentadores, professores, advogados, personal-trainers, astrólogos, cientistas, psicólogos, filósofos, comentaristas esportivos, narradores, cineastas, cantores, romancistas, poetas, críticos de arte e culinária, nos ensinaram apenas uma palavra, e com ela dizemos, e suas letras desmembramos, recombinamos, resignificamos, negamos o que estava escrito antes de nós, negamos o que fora escrito antes por nós, vezes o bastante até sangrar os ossos da mão suja que buscara em desespero um sentido destro, sem tempo, nem sempre foi possível ser e estar, o tempo esgota e descobrimos só enfim que a tal única palavra era a palavra errada (pra nós).
noite a fora nos bolsos, meus amigos n'umbigo
meu amor na beira da boca, meu prazer na palma da mão
agora esqueço as verdades que me têm lido
e cedo e tarde em mim entram em comunhão
não.
no dia que eu disser o que sou
deixarei no mesmo exato instante de sê-lo
(ainda que o que eu diga não seja de fato nada:
nem eu, nem ela, nem ninguém)
aliás, desconfio que já me disseram isso
-
veja bem,
escrever é absoluta e concretamente diferente de querer escrever
verbos diferentes, semânticas diferentes, planetas diferentes
quem quer dizer acha que diz, enquanto quem diz nem está consciente daquilo
-
e que fique claro que estou bem longe de querer ditar
o verdadeiro e o falso
(como se o mundo fosse tão limitado quanto um bolo de morango - divisível pela metade)
sobre qualquer merda que eu possa proferir aqui
eu não quero nada
[dá série "eu gosto do óbvio". 'parte 02']
deixarei no mesmo exato instante de sê-lo
(ainda que o que eu diga não seja de fato nada:
nem eu, nem ela, nem ninguém)
aliás, desconfio que já me disseram isso
-
veja bem,
escrever é absoluta e concretamente diferente de querer escrever
verbos diferentes, semânticas diferentes, planetas diferentes
quem quer dizer acha que diz, enquanto quem diz nem está consciente daquilo
-
e que fique claro que estou bem longe de querer ditar
o verdadeiro e o falso
(como se o mundo fosse tão limitado quanto um bolo de morango - divisível pela metade)
sobre qualquer merda que eu possa proferir aqui
eu não quero nada
[dá série "eu gosto do óbvio". 'parte 02']
Tuesday, February 17, 2009
here's to you
estamos sós na mesma fotografia
você encena uma despedida e eu penso em dizer oi
mas estamos sem tempo para sentimentalismos
ou de fazer o que nos der vontade
enquanto chove você fica perto d'aqui
e a marquise se encolhe de alfinetes
vamos nos abraçar mas esquecemos
nossos braços em casa
e o que sobra é o que dizemos
e dizemos nada
estamos a sós na mesma memória
temos tempo o bastante para estragar as coisas
ainda, você pensa, e pensa duas vezes
enquanto eu penso dezesseis, até finalmente
não termos mais paciência para frescuras d' carne e d'alma
uma vez me disseram que as coisas são mais fáceis
para o lado que quer dizer adeus
mas esqueceram de me avisar que elas são desumanas
quando ambos tem que dizê-lo
sem ninguem ter vontade de querê-lo.
você encena uma despedida e eu penso em dizer oi
mas estamos sem tempo para sentimentalismos
ou de fazer o que nos der vontade
enquanto chove você fica perto d'aqui
e a marquise se encolhe de alfinetes
vamos nos abraçar mas esquecemos
nossos braços em casa
e o que sobra é o que dizemos
e dizemos nada
estamos a sós na mesma memória
temos tempo o bastante para estragar as coisas
ainda, você pensa, e pensa duas vezes
enquanto eu penso dezesseis, até finalmente
não termos mais paciência para frescuras d' carne e d'alma
uma vez me disseram que as coisas são mais fáceis
para o lado que quer dizer adeus
mas esqueceram de me avisar que elas são desumanas
quando ambos tem que dizê-lo
sem ninguem ter vontade de querê-lo.
e surpresa
.
*respira*
o tempo que torramos é o suficiente
a saudade que colhemos nos basta
só que há de desmedido aqui
é essa mania de (querer) dar certo
e a fobia do (que é) contrário
[dá série "eu gosto do óbvio". 'parte 09']
*respira*
o tempo que torramos é o suficiente
a saudade que colhemos nos basta
só que há de desmedido aqui
é essa mania de (querer) dar certo
e a fobia do (que é) contrário
[dá série "eu gosto do óbvio". 'parte 09']
cansado de
se
ferir, resolveu
tornar
pro lado que
fere
(fazendo de conta que as duas coisas são tão diferentes assim)
para
pôr fim
na cantoria, decide
se tornar a audiência
calada
... (um lado finge que diz, outro finge que ouve;
mas no fundo estão fazendo isso mesmo)
[dá serie "eu gosto do óbvio, eu acho" - parte '03']
se
ferir, resolveu
tornar
pro lado que
fere
(fazendo de conta que as duas coisas são tão diferentes assim)
para
pôr fim
na cantoria, decide
se tornar a audiência
calada
... (um lado finge que diz, outro finge que ouve;
mas no fundo estão fazendo isso mesmo)
[dá serie "eu gosto do óbvio, eu acho" - parte '03']
Saturday, February 14, 2009
up there
agora há pouco houve um tempo:
pessoas que se amavam se procuravam versos para dar-lhes umas às outras
Sofia saía de manhã pra colher gotas de chuva, exclamações e comprar pães
A parte boa do dia, sempre, ela dizia por debaixo de um meio sorriso
A tarde e a noite e a madrugada era o corpo inteiro dela que chamava
O universo que se reduzia à atómo para acarinhá-la e tê-la consigo
E os dois se guardavam, para si, para ti, para que o resto do mundo tivesse ainda sentido
A cada manhã que levantassem para continuar vivendo o tempo que lhes restavam
Então que Sofia saía de manhã, colher gotas de sereno e lágrimas, porque era muito bom
e triste que a vida estivesse tão cheia nela, antes que cheia de si, cheia no céu que caía na chuva, na gravidade, no meteorito, na nuvem e na névoa, na luz de sol e radiação lunar
Triste porque... porque sei lá, tem sentimentos que são tão grandes e sem nome que o melhor é dizer que são o que não são, fiapos de velha fantasia vazando sob a cama em pedaços de carne de um velho monstro já extinto
A vida que estava com tempo o bastante para ter tempo de sobra e gastar sua vaidade pura, desespero quieto, poesia eunuca, e ansiosa de despejar seu desejo cego e sincero sobre o(s) que amava.
E então Sofia saía de manhã sem pensar quantas manhãs seriam daqui pra frente, ou daqui pra trás, ou daqui pra cima... Sofia saía e queria muito que o resto do mundo saísse também.
pessoas que se amavam se procuravam versos para dar-lhes umas às outras
Sofia saía de manhã pra colher gotas de chuva, exclamações e comprar pães
A parte boa do dia, sempre, ela dizia por debaixo de um meio sorriso
A tarde e a noite e a madrugada era o corpo inteiro dela que chamava
O universo que se reduzia à atómo para acarinhá-la e tê-la consigo
E os dois se guardavam, para si, para ti, para que o resto do mundo tivesse ainda sentido
A cada manhã que levantassem para continuar vivendo o tempo que lhes restavam
Então que Sofia saía de manhã, colher gotas de sereno e lágrimas, porque era muito bom
e triste que a vida estivesse tão cheia nela, antes que cheia de si, cheia no céu que caía na chuva, na gravidade, no meteorito, na nuvem e na névoa, na luz de sol e radiação lunar
Triste porque... porque sei lá, tem sentimentos que são tão grandes e sem nome que o melhor é dizer que são o que não são, fiapos de velha fantasia vazando sob a cama em pedaços de carne de um velho monstro já extinto
A vida que estava com tempo o bastante para ter tempo de sobra e gastar sua vaidade pura, desespero quieto, poesia eunuca, e ansiosa de despejar seu desejo cego e sincero sobre o(s) que amava.
E então Sofia saía de manhã sem pensar quantas manhãs seriam daqui pra frente, ou daqui pra trás, ou daqui pra cima... Sofia saía e queria muito que o resto do mundo saísse também.
Sunday, February 08, 2009
quiçá
e para quem chora para se lembrar que não é mais preciso sofrer
eu leio uma história de dentro de uma garrafa vodka
dum papiro que eu mesmo rascunhei em uma vida retrasada
que me insinuava que viver é a melhor solução para a vida
mas disso tenho tantas dúvidas ainda... tanta-tanta que é mais seguro me perder
e tenho vindo por esse caminho torto cheio de atalhos que me mais me atrasam
matando sede com água de pombo, e abraçando estátuas de pedra mijadas e pixadas
de praças que eu sei que ninguém visita em finais de semana
pelo o que sei o teto lá de casa era azul até outro dia
e o céu que era feito de lajes acimentadas e de amontoados de água de chuva
mentira, mal tenho tempo de amar e transar, quanto mais de ter comigo as coisas que eu quero
e que eu quero, eu quero é beber pra esquecer, só que só consigo lembrar e contrapôr
substantivos opostos, antônimos, e dizer que isso e aquilo é poesia
e dizer com conjuções conectivas que o mundo é o que eu digo e o que eu vejo
quando que mais sou uma barata, uma baratinha vagabunda viciada em Raid
tentando entender de uma vez por todas porque as estrelas ficam bilhões de anos
queimando e fundindo em seus núcleos hélio e hidrogênio
(e o que eu quero? eu só quero amar, porra
quantas vezes vou ter que repetir?)
Saturday, January 31, 2009
q
se inexistisse a identidade?
se a necessidade do isso e aquilo fosse desespero clínico psiquiátrico tratável
ou doença erradicada
se o meu e teu fosse nem nosso nem del
fosse infinito qu'eu quero
fosse deslocado onde estou
incógnita insolúvel a certeza e beijo à três o descaso que faço de ti agora
por sermos diferentes
que restos de eternidades seriam essa noite e as quarta-feiras-não-sextas
que incontáveis, inrotuláveis canções cantaria em sacadas, quartos, terreiros
que sonhos pariria sob quantas árvores, colégios e celeiros
que misturas heterogêneas amaria num mesmo abraço
onde guardaria meu medo de amar
se amasse tudo
quê seria eu, se amasse tudo.
quem seria eu se amasse o que
se a necessidade do isso e aquilo fosse desespero clínico psiquiátrico tratável
ou doença erradicada
se o meu e teu fosse nem nosso nem del
fosse infinito qu'eu quero
fosse deslocado onde estou
incógnita insolúvel a certeza e beijo à três o descaso que faço de ti agora
por sermos diferentes
que restos de eternidades seriam essa noite e as quarta-feiras-não-sextas
que incontáveis, inrotuláveis canções cantaria em sacadas, quartos, terreiros
que sonhos pariria sob quantas árvores, colégios e celeiros
que misturas heterogêneas amaria num mesmo abraço
onde guardaria meu medo de amar
se amasse tudo
quê seria eu, se amasse tudo.
quem seria eu se amasse o que
Monday, January 26, 2009
10 e meia
e hoje em dia o que que é que te abriga
se está prestes a chover ácido e coca-cola do céu
você corre prum teto e abraça seus lençóis pingados de suor
ou extende as mãos pros céus e diz "sou bem maior do que pensas, viu?"?
(páre de rir pois agora sei onde está se escondendo)
fique longe de mim
dê uma sapatada no abajur
e esteja perto outra vez de vez
hoje em dia o que te abriga é a dúvida?
vou te dizer que acho que ainda preciso entender o que sinto por você, tá?
mas fique calma, terei menos certeza se às 11 e meia da manhã vai estar claro
do que disso
então, hoje em dia o que te abriga é o que enlaçamos agora?
espero que isso seja um bom sinal
.é
se está prestes a chover ácido e coca-cola do céu
você corre prum teto e abraça seus lençóis pingados de suor
ou extende as mãos pros céus e diz "sou bem maior do que pensas, viu?"?
(páre de rir pois agora sei onde está se escondendo)
fique longe de mim
dê uma sapatada no abajur
e esteja perto outra vez de vez
hoje em dia o que te abriga é a dúvida?
vou te dizer que acho que ainda preciso entender o que sinto por você, tá?
mas fique calma, terei menos certeza se às 11 e meia da manhã vai estar claro
do que disso
então, hoje em dia o que te abriga é o que enlaçamos agora?
espero que isso seja um bom sinal
.é
Wednesday, January 14, 2009
Estava pensando hoje de manhã... pr'onde aqueles pássaros vão? E as baratas que entram pelo ralo do banheiro, onde elas dormem e escovam os dentes? Tem tanta coisa sem importância que me encho a mala às vezes, e tem tanta coisa que eu... na verdade devo me infernizar com quase tudo. Aquele pássaro verde e amarelo (estilo Copa de 70) de outro dia por exemplo. Pousou por uns segundos no varal de casa, o vi pela janela enquanto eu bebia água na pia da cozinha. Ele o tempo inteiro tentava alçar vôo para algum lugar y que ele havia esquecido qual seria, porque parecia que ele simplesmente desconhecia onde estava. Tentava, se perdia bem no meio do impulso e acabava por voltar no ponto inicial. Fazia isso repetidamente, parecia um Ioiô, aliás, ainda existem Ioiôs? As crianças devem brincar de outras coisas hoje em dia, tipo desespero e terrorismo. Mas voltando ao pássaro, acho que fiquei cerca de 20 minutos vendo até onde a sua sorte o levaria. Cheguei a pegar um banco pra sentar e observá-lo com mais conforto. Só que o telefone tocou, e eu fui atender, e, claro, desviei minha atenção para outras coisas. Só lembrei novamente de sua existência horas e horas depois, ao me deparar com a cadeira vazia no meio da cozinha, em mais uma das minhas incursões em busca de H20. Olhei novamente para o varal sem roupas, e não havia nenhum passarinho ali. Me pergunto agora se ele caiu duro e morto de tanto tentar chegar aonde queria, estando agora em processo de decomposição, ou se conseguiu. Conseguiu? Nunca sei quem conseguiu nada. As pessoas conseguem coisas também? Sempre penso em corpos putrefados, em primeiro lugar. (Depois vou dar uma olhada no quintal do vizinho e ver se acho algum cadáver.)
As baratas me intrigam. Em dias frios você quase esquece a existência delas. Pensa em caramujos pendurados na veneziana de suas janelas (e em porque diabos eles escolhem lugares tão peculiares para tirar uma naninha), pensa em assistir novela das oito (ou nove?) pra ter assunto com a trocadora de ônibus, pensa cortar as unhas, porque elas já estão engaixando entre as teclas do teclado do seu computador, pensa em continuar a escrever aquele livro sobre monges australianos e pedófilos, pensa em sair na rua e ser atropelado, enfim... Menos nelas. E elas surgem em dias de calor tão naturalmente quanto a gravidade jogará minha barriga pra baixo daqui uns anos. Da última vez eu vi, inclusive, a tampa do ralo se mover, e se fechar para trás, enquanto um desses indivíduos passava à velocidade da luz (na verdade li uma vez, usando minhas horas vagas para ler sobre baratas na enciclopédia, que se elas tivessem o tamanho de um homem correriam 150 km por hora. Weird.) Tentei contornar o problema com um tijolo, e só deus sabe como, elas passam por debaixo dele, se materializando aos poucos do lado de fora. Conclui que as baratas são paranormais, alheias à qualquer coerção social, tem poderes psiquícos, se teletransportam, voam como jatos supersônicos, emitem raios ópticos destrutivos de calor, e nunca vão desaparecer. Tá, em parte eu devo sentir um pouco de inveja.
Meu quintal tem uns esquilos também, que volta e meia entram pela famigerada janela da cozinha. De lá pegam alguma coisa do fruteiro, geralmente frutas (dã), claro, sem deixar derrubá-lo e espalhar as coisas chão a fora. Uma vez um deles veio e dormiu na minha estante de livros, e certo dia, à procura de um livro do Dostoievski, eu vi... Tá, é sacanagem, não há esquilos na droga do meu quintal, e tãopouco eles entram na minha casa, conseqüentemente (com trema mesmo). Mas eu queria de fato que isso acontecesse. Porque sei lá. Eles são rápidos, e comem nozes, e eu adoro nozes... tá, não me olha com essa cara, não tenho deficiência mental, é sério! Acho eles especiais. A beleza involuntária, a vida natural em florestas temperadas, hiperatividade compulsiva, moradia em buracos de casas de árvore, escalar dezenas de metros todos os dias, e, dependendo da espécie, a incrível capacidade de voar (pelo menos reza a lenda)! Na próxima vida eu arranjo um requerimento e nasço esquilo.
Quando acordo tenho certeza do quero e de onde estou. E os gafanhotos que vi outro dia na televisão, sendo esmagados contra a hélice do avião, daqueles E-16 ou alguma sigla do gênero, tipo antigo, adoram me vir à mente com seus três pares de pata e asas. Uma manhã de sábado, você sai de casa em busca de alimento para si e sua família quando uma máquina de metal gigante atrevessa teu caminho te trudidando em incontáveis pedaços. Bem em dias assim que eu não me sinto melhor que inferno algum nesse mundo.
Será que há fila de espera para o requerimento de esquilos?
As baratas me intrigam. Em dias frios você quase esquece a existência delas. Pensa em caramujos pendurados na veneziana de suas janelas (e em porque diabos eles escolhem lugares tão peculiares para tirar uma naninha), pensa em assistir novela das oito (ou nove?) pra ter assunto com a trocadora de ônibus, pensa cortar as unhas, porque elas já estão engaixando entre as teclas do teclado do seu computador, pensa em continuar a escrever aquele livro sobre monges australianos e pedófilos, pensa em sair na rua e ser atropelado, enfim... Menos nelas. E elas surgem em dias de calor tão naturalmente quanto a gravidade jogará minha barriga pra baixo daqui uns anos. Da última vez eu vi, inclusive, a tampa do ralo se mover, e se fechar para trás, enquanto um desses indivíduos passava à velocidade da luz (na verdade li uma vez, usando minhas horas vagas para ler sobre baratas na enciclopédia, que se elas tivessem o tamanho de um homem correriam 150 km por hora. Weird.) Tentei contornar o problema com um tijolo, e só deus sabe como, elas passam por debaixo dele, se materializando aos poucos do lado de fora. Conclui que as baratas são paranormais, alheias à qualquer coerção social, tem poderes psiquícos, se teletransportam, voam como jatos supersônicos, emitem raios ópticos destrutivos de calor, e nunca vão desaparecer. Tá, em parte eu devo sentir um pouco de inveja.
Meu quintal tem uns esquilos também, que volta e meia entram pela famigerada janela da cozinha. De lá pegam alguma coisa do fruteiro, geralmente frutas (dã), claro, sem deixar derrubá-lo e espalhar as coisas chão a fora. Uma vez um deles veio e dormiu na minha estante de livros, e certo dia, à procura de um livro do Dostoievski, eu vi... Tá, é sacanagem, não há esquilos na droga do meu quintal, e tãopouco eles entram na minha casa, conseqüentemente (com trema mesmo). Mas eu queria de fato que isso acontecesse. Porque sei lá. Eles são rápidos, e comem nozes, e eu adoro nozes... tá, não me olha com essa cara, não tenho deficiência mental, é sério! Acho eles especiais. A beleza involuntária, a vida natural em florestas temperadas, hiperatividade compulsiva, moradia em buracos de casas de árvore, escalar dezenas de metros todos os dias, e, dependendo da espécie, a incrível capacidade de voar (pelo menos reza a lenda)! Na próxima vida eu arranjo um requerimento e nasço esquilo.
Quando acordo tenho certeza do quero e de onde estou. E os gafanhotos que vi outro dia na televisão, sendo esmagados contra a hélice do avião, daqueles E-16 ou alguma sigla do gênero, tipo antigo, adoram me vir à mente com seus três pares de pata e asas. Uma manhã de sábado, você sai de casa em busca de alimento para si e sua família quando uma máquina de metal gigante atrevessa teu caminho te trudidando em incontáveis pedaços. Bem em dias assim que eu não me sinto melhor que inferno algum nesse mundo.
Será que há fila de espera para o requerimento de esquilos?
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